Espaço BSM

10/15

Já foi a uma garage sale?

mona lisa barenbaum - bsm garage saleA tapeçaria francesa Aubusson, avaliada em R$ 13 mil, foi comprada por R$ 1.200. O aparelho de louça brasonado Limoges, também da França, saiu por R$ 1.300 – nas lojas, esse valor é cobrado por uma única peça. O rack de jacarandá, cotado a R$ 3.500, acabou adquirido por R$ 350. O centro de mesa em prata WMF, de 900 euros (cerca de R$ 2.430), ficou 85% mais barato, a R$ 400. Em uma casa no Lago Sul, a maior parte dos produtos à venda foi primeiramente negociada em euros. Em um fim de semana comum de fevereiro, os clientes percorriam os cômodos e se entretinham ante taças de cristal e estatuetas chinesas de R$ 10, entre diversos outros utensílios das chamadas garage sales – um tipo de comércio que, cada vez mais, se consolida como febre de consumo em Brasília.

 
Os preços convidativos e objetos muitas vezes raros ou importados são os principais atrativos desses eventos, que não têm data nem local fixo para acontecer. Quase sempre, os vendedores, os garagistas e os clientes acabam desenvolvendo laços de amizade e se comunicam em grupos para avisar datas e locais em que acontecerão as próximas edições.

 
O público costuma ser bastante heterogêneo e inclui ministros, deputados, diplomatas, socialites, decoradores, colecionadores, além de empresários da Feira de Antiguidades do Gilberto Salomão e compradores comuns, interessados em redecorar a própria casa.

 

Tudo começou em 2010, quando Mona Lisa Barenbaum, então gerente de um banco, mudou-se de apartamento, decidiu remobiliar o novo lar e fazer uma garage sale dos produtos.  “Vi que aqui em Brasília havia mercado e condição de fazer algo melhor, e foi o que propus”, conta Mona Lisa.

Mona Lisa montou o BSM Garage Sale – e se especializou na modalidade. Hoje, mantém um mailing list com 4.500 nomes e uma clientela cativa. A alta rotatividade de funcionários públicos e do corpo diplomático, em Brasília, criou a necessidade de auxiliar as pessoas a se desfazerem de seus pertences.

 

“Normalmente, as peças são muito boas e de valor. Existe um mercado, tanto para comprar quanto para vender”, explica Mona Lisa.

 

 

Se a garage sale é viável, as garagistas e o proprietário dos produtos buscam um acordo sobre os preços. A ideia é manter os valores entre 40% e 60% do preço original.
A fase preparatória para a garage sale se estende por até sete dias e envolve a assinatura de um contrato, no qual se estabelecem os direitos e as obrigações dos garagistas – que ganham um percentual sobre as vendas – e dos clientes. O comércio das peças costuma durar, no máximo, quatro dias.

Nesse período, objetos valiosos e antigos podem ser vendidos a preços quase simbólicos. Mona Lisa negociou a R$ 1.500 um espelho do século XVIII, comprado por R$ 8 mil.

 

Dos EUA para o mundo

 

As garage sales surgiram nos EUA e se tornaram mania nacional. Os norte-americanos costumam expor produtos que não mais desejam nos jardins de suas casas, especialmente às vésperas de mudanças. Para anunciar a oportunidade de negócios, utilizam a propaganda boca a boca, além de placas artesanais, cartazes e flyers. A Highway 127 é considerada a maior garage sale do mundo e envolve os estados de Mississippi, Alabama, Kentucky e Tennessee, perfazendo um total de 1,1 mil km.

 

 

Por: Rodrigo Craveiro – Revista Encontro – Correio Braziliense