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Um nobre destino para tudo. Por Jane Godoy

mona lisa barenbaum - jane godoy revista 360O SOBRENOME ALEMÃO não conseguiu tirar a mineirice e o cantado gostoso no falar de Mona Lisa Barenbaum. Desde 1997 em Brasília, Mona confessa que “na época, pensei que nossa vinda seria por alguns poucos anos. No entanto, para nossa felicidade, fomos abraçados e nos apaixonamos pela cidade”.

 

A família morava na Argentina, e Mona Lisa fez o curso de licenciatura em turismo, e, ainda estudante, trabalhava como guia. “Quando retornamos ao Brasil, por um convite e um desejo meu, comecei a trabalhar como bancária, encontrando, nessa profissão, uma paixão”, conta.

 
Voos mais altos
Mesmo com seu tempo integralmente dedicado ao trabalho no banco, sua atividade principal, seduzida pelo espírito dinâmico e gosto pelo trabalho, não demorou a surgir uma atividade paralela, “que levava a me aventurar por outros segmentos, apenas como hobby”. Mona Lisa se aprofundou no conhecimento
de garage sale em outros canais de divulgação.

 
Foi então que, entre 2009 e 2010, por um motivo pessoal, ela precisou contratar um profissional,
para ajudá-la a dar um destino a alguns móveis e objetos dispensáveis no novo apartamento.
“A partir daí, após vivenciar a primeira experiência de garage sale, decidi ingressar naquela atividade.

 

Tudo foi se desenrolando naturalmente. Acredito que em Brasília, justamente por ser uma cidade onde as pessoas vão e vêm com muita frequência, a necessidade de estar sempre se renovando faz com que essa prática seja muito bem-vinda!”

 

Decisão
Chegou a hora da mudança. De casa, de cidade, do país ou porque um ente querido se foi.
Os motivos são os mais variados, mas todos eles exigem uma grande decisão, seja ela de toda a família, seja daqueles que respondem por ela.

 

“Os interessados nos solicitam uma visita, para iniciarmos uma troca de informações até chegarmos à melhor forma de desempenharmos aquela tarefa.

 
Esse assunto pode ser tratado apenas com aqueles que têm autonomia para tomar decisões,”explica.

 

Confiança, sensibilidade

“No primeiro contato, tratamos de trocar de informações, inclusive as de cunho pessoal, pois se faz necessário que haja empatia, confiança e sensibilidade para entendermos o outro.

 
Tudo que envolve família, amor, cumplicidade tem de ser muito respeitado. Digo isso por mim mesma, já que passei por essa experiência. Mesmo quando é necessário nos desfazermos dos bens, neles existe uma história, um pedacinho da vida de cada um da família. Ao entendermos o cliente e esse estando de acordo, fica prazeroso fazer essa renovação”, filosofa Mona Lisa.

 
Ao fazer a visita, a equipe “dá uma geral” com o cliente e pede que ele indique os itens de que deseja dispor. Após a seleção d0 que será vendido, inicia-se a fase da listagem e marcação de preços. “Essa arte precisa ser muito cuidadosa, detalhada e transparente, pois nada que está sendo ofertado nos pertence. Passamos, então, aos interessados, uma lista completa do que está à venda. De alfinete a foguete, tudo
deve ser listado” brinca.

 

Apego e desapego
O que leva mais tempo, após a decisão do que a família pretende vender, é o inventário de tudo
o deverá ser oferecido e vendido. Todos têm algo que, de fato, devotam um amor especial, um objeto que, independentemente de seu preço, tem um valor emocional importante.Esse, a equipe aconselha a não colocar à venda, “já que amor não tem preço”.
Há peças com valor simbólico, há anos na família, passados de geração em geração. “Aconselhamos que não seja vendida”, pondera. Mona Lisa se lembra sempre do primeiro garage sale em que atuou e sente
saudades, embora “nesse dia tenha voltado para casa com alguns trocados no bolso e exausta, não só fisicamente como emocionalmente, pois como boa virginiana sou muito perfeccionista e me surpreendo
muito envolvida”.

 

Jane Godoy – Revista 360 Graus – Correio Braziliense